Profissionais de saúde dos nove municípios da Baixada Santista estão nesta sexta-feira (15.05) realizando testes rápidos de covid-19. A ação integra a segunda fase da pesquisa que identificará, por amostragem, o percentual de pessoas que já tiveram contato com o novo coronavírus nas nove cidades da região metropolitana.

As equipes de saúde abordam pessoas escolhidas aleatoriamente, via sistema computadorizado, para participarem da pesquisa, que servirá de base para a adoção de medidas contra a pandemia nos municípios da região. A análise dos resultados desta segunda etapa deve ser divulgada na próxima semana.

A pesquisa, denominada Epicobs (Epidemiologia da Covid-19 na Região Metropolitana da Baixada Santista), é formada por quatro etapas, com intervalo de 15 dias entre cada uma. A expectativa é de que, ao final de dois meses, cerca de 10 mil pessoas diferentes sejam testadas na Baixada Santista. A compra dos testes rápidos foi financiada pelo Condesb (Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista).

 Os resultados das quatro fases previstas serão fundamentais para planejar ações imediatas, não só na área da saúde, mas também nas áreas de assistência social e na economia, além de balizar o Governo do Estado quanto à situação da Baixada Santista e as medidas de flexibilização regiona.
 
Com realização da Fundação Parque Tecnológico de Santos, a iniciativa reúne mais de 40 pesquisadores de todas as universidades da região e tem apoio da Associação Comercial de Santos. Além disso, foi aprovada pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, do Conselho Nacional de Saúde.

Abordagem

Em Santos, por exemplo, os munícipes escolhidos pelo sistema computadorizado recebem a visita de agentes comunitários de saúde e de equipes de enfermagem em suas residências. Estão devidamente paramentados com equipamentos de proteção individual descartáveis (máscara, gorro, óculos, avental) e identificados com crachá. Todos foram treinados para a esse trabalho.

O munícipe receberá todas as informações sobre a pesquisa e um número de telefone para tirar dívidas. Caso aceite contribuir voluntariamente com o estudo, deve assinar um documento. 

Somente após concordar com a participação a coleta é iniciada. Com o uso de uma lanceta descartável, é feito um furo na polpa do dedo anelar para extrair o sangue. O resultado sai em 15 minutos. 

O exame serve para verificar, por amostragem, quantas pessoas já tiveram contato com a doença a partir da identificação de anticorpos. É diferente do exame realizado na fase de sintomas, feito a partir da coleta de secreção das mucosas nasal e oral, quando o objetivo é identificar a presença do novo coronavírus.

Os munícipes participantes responderão ainda a um questionário sobre dados pessoais como sexo, idade, profissão e informações socioeconômicas como, por exemplo, se perdeu emprego durante a pandemia. Imediatamente, as informações alimentarão um banco de dados, que também será considerado nas decisões dos governos municipais no enfrentamento ao novo coronavírus.
 

Primeira fase da pesquisa

 Foram divulgados nesta segunda-feira (4 de maio) os primeiros resultados da pesquisa científica para identificar, por amostragem, o percentual de pessoas que moram na Baixada Santista e que já tiveram contato com o novo coronavírus. Na região foram feitos 2.341 testes, com 33 pessoas testando positivo para Covid-19. As autoridades apontam que o pico da contaminação deve acontecer no começo de junho. Com isso, o presidente do Condesb e prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, declarou que a flexibilização não irá acontecer em Santos.

“Todos queremos essa abertura, por isso estamos procurando base científica e técnica. Com esse estudo, que reflete a situação de 10 dias atrás, nós não temos condição de tomar nenhuma medida de flexibilização. A nossa população está demasiadamente suscetível a contaminação, com 80% das UTIs da região preenchidas. Por isso, nesse momento seria irresponsabilidade qualquer tipo de abertura ou flexibilização. Em Santos, não vamos abrir mão de nenhuma vida. Vamos trabalhar para preservar a vida das pessoas. E o caminho para conseguir isso, a nossa orientação, é dizer para que as pessoas fiquem em casa”, disse.

Com base nos testes realizados, o levantamento aponta que 1,41% da população adquiriu anticorpos contra a doença.

O resultado desse estudo aponta que a Baixada Santista tem uma pessoa infectada a cada 69 habitantes dos nove municípios da região.

Além disso, o levantamento projeta, então, que 23.257 moradores da região já possuem anticorpos contra o novo coronavírus.

Desta forma, para cada caso notificado, existem 13 pacientes com Covid-19 que não foram notificados para as secretarias de saúde da Baixada Santista.

O infectologista Marcos Caseiro comentou que esperava um resultado no qual apontasse que mais pessoas tivessem sido expostas ao vírus. “Os dados estão subindo, estamos em uma fase de aceleração da epidemia. Porém, os nossos dados mostram que não há um enorme contingente da população que teve contato com o vírus. Eu pensava que teríamos um pouco mais, sinceramente. Trabalhávamos com uma margem de 3% da população (que teria tido contato com o vírus), nesse sentido me surpreendeu. É menos do que a gente imaginava, mas dentro do esperado”, afirmou. 

Com isso, a pesquisa aponta que a região tem um índice de casos pouco inferior ao estado da Califórnia, nos Estados Unidos, e da Coreia do Sul, levando em consideração os dados confirmados até 14 de abril. Na Califórnia, a margem é de 1,5% de pessoas contaminadas e na Coreia de 2,1%, em estudos feitos com voluntários.

Sobre o índice de letalidade, considerando apenas os casos notificados, o indicador está em 8,2%. Já quando baseamos o número de pessoas mortas por coronavírus levando em conta também os casos que não foram notificados, o índice de letalidade cai para 0,4%.

Estudo
Nas nove cidades, o estudo abrange quatro etapas, com 10 mil pessoas pesquisadas, sendo 2,5 mil por etapa. As próximas três etapas seguem o mesmo protocolo, com intervalo de 15 dias entre si. Assim, em dois meses, a pesquisa estará finalizada. A compra dos testes rápidos foi financiada pelo Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb).

Denominada “Epidemiologia da Covid-19 na Região Metropolitana da Baixada Santista (Epicobs)”, a pesquisa é realizada pela Fundação Parque Tecnológico de Santos (FPTS), reunindo mais de 40 pesquisadores de todas as universidades da Região, com apoio da Associação Comercial de Santos (ACS). A Universidade Santa Cecília (Unisanta) é uma das entidades que contribuiu para a realização do levantamento.

O estudo foi aprovado pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, do Conselho Nacional de Saúde.

Confira o quadro abaixo que aponta o número de amostras propostos para coleta e o número de amostras colhidas e porcentagem:

Baixada Santista realiza segunda fase de testes de covid-19 para pesquisa regional

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